Histórias - Amor em dois tempos

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Place To Be

Já te agradeci Val?? Estou apaixonada pelo Nick Drake e especialmente por esta musica... isso porque só ouvi um dos discos até agora. Pink Blue! Fantástico!!

Place To Be

Nick Drake

When I was younger, younger than before
I never saw the truth hanging from the door
And now I'm older see it face to face
And now I'm older gotta get up clean the place.

And I was green, greener than the hill
Where the flowers grew and the sun shone still
Now I'm darker than the deepest sea
Just hand me down, give me a place to be.

And I was strong, strong in the sun
I thought I'd see when day is done
Now I'm weaker than the palest blue
Oh, so weak in this need for
you.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Eu sempre soube. Sempre esteve lá.

Eu não sou um mistério a ser desvendado. Não peço que me entendam. Ninguém precisa me definir para que eu saiba quem sou. Isso é construção diária, com direito a mudanças das mais insignificantes, às radicais. Sou mutante. Camaleoa. Sou o que vejo em mim, o que os outros vêem, o que gostaria de ser... sou tantas em uma, que não faz qualquer sentido tentar entender.

Não me reconhece? Não tem problema. Nem eu.

Se existe algo no mundo que me tira do sério, é injustiça. Como lidar quando você percebe que está sendo injusto, covarde? Como se perdoar por agir impulsivamente, sem por um momento ser capaz de impedir que o estrago seja feito? Que atinja pessoas amadas?

Culpa. Velha conhecida. Tantas vezes sentida que parece fazer parte de quem eu sou. Em geral, ela só diz respeito a mim. Eu me culpo por me maltratar. Por negligenciar meus sonhos, por temer a vida de tal forma, que me sinto aprendendo a viver a cada despertar.

Mais uma vez repito: Egoísta. Tão individualista que nem ao menos percebo o mal que sou capaz de causar aos outros.

Uma outra dor. Tão maior, tão mais complexa, intensa... me corrói por dentro.

Uma amiga me disse: Não somos responsáveis pela dor que o outro sente. A dor é só dele. Assim como a sua, é somente sua. Você a sente. Você responsabiliza alguém por suas dores?

Não. A dor é minha. Imutável, intransferível, feita sob medida para ser sentida por mim e mais ninguém.

Mas a dor do outro me dói. Mais que minha própria dor, a dor que sei ter causado, me dói profundamente. É como um veneno correndo dentro das veias. Me faz questionar certezas, fundamentos básicos que sempre me foram tão claros.

No final das contas, ser humano é ser propenso ao erro, e do erro, ao aprendizado, e nele, crescimento. Não me martirizo por minhas atitudes. Não julgo ninguém, por que me utilizar de dois pesos e duas medidas quando sou eu a errar?


É assim que me sinto. Impotente. Nada do que eu fizer irá mudar o que já foi. Recuar é ainda mais difícil do que agir, mas é tudo o que eu tenho. A distância. Segura? Não neste momento. Estou apavorada com o que está por vir. Ao mesmo tempo, fascinada com as possibilidades.

A dualidade que agora me acomete, me apavora na mesma proporção em que me faz caminhar, querer, ser... mais.

De um lado tristeza, dor, saudade. De outro... possibilidades! É por elas que eu luto. Posso não saber do que se tratam. O futuro é tão incerto hoje, quanto era ontem. E não existe nada mais poético que não saber. Não sei. Não tenho respostas. Não sou oráculo. Então, não perguntem. Simples. Eu de nada sei. O quão incrível é isso?




domingo, 14 de agosto de 2011

Inquietude

"The Finish Line" Snow Patrol

O que é essa necessidade? Essa vontade que não passa? Vivendo e respirando em um compasso acelerado, intenso, tão diferente do meu temperamento tranqüilo e quase passivo de ser no mundo.

Não que as idéias não sejam tentadoras. Eu acredito. Sou entusiasta com relação ao mundo, a justiça, a benevolência, à vida.... mas intensa? Em momentos traçados, delineados, específicos demais para essa profusão de sentidos que agora me toma.

Um medo de parar. Medo de pensar. Medo de aprofundar em qualquer que seja o sentido que me chama, me sucumbindo, me levando a um estado de espírito além... irreal até.

Nem na fantasia consigo me refugiar. A inquietude é tão grande, que ler, escrever, assistir a um filme, nada disso é possível. Não me concentro. Dentro de mim, ainda uma batida eletrizante. Como se vivesse um medo constante, o que na realidade, é mais uma falta constante. Uma saudade indefinida, permeada por certezas e conflitos que povoam a minha mente.

Impossível parar. Adrenalina que corre solta pelas veias e me instiga, me empurra, me tira da minha paz habitual, e me faz querer mais. Mas mais o que?

Hoje é o primeiro dia em que de fato me deparo com a solidão dos silêncios. Tempo demais para um dialogo meu, comigo mesma. Não quero, não permito. Busco me perder em atividades banais, conhecidas, tão familiares que me são automáticas. Talvez uma tentativa vã de me encontrar em mim. Um ponto nebuloso de equilíbrio. O efeito? Nenhum. Ainda a ansiedade, a saudade, a falta, o medo e a adrenalina.

Queria parar o desejo latente que toma conta de todo o meu corpo e mente. Uma quase necessidade de transgressão que me lembro ter sentido poucas vezes na vida. Essa falta de controle sobre o que penso e sinto me fazem encarar no espelho uma mulher que desconheço, mas que me intriga, instiga, desafia. Estaria eu me reescrevendo? Redefinindo? Não saberia dizer.

Parece que a idade não me trouxe certezas, muito menos a sabedoria que eu esperava ter. Me sinto uma adolescente descobrindo o mundo mais uma vez. Sentimento recorrente que no passado me paralisava por completo, mas que hoje tem um efeito muito mais devastador em mim. Me torna egoísta, centrada apenas nas minhas próprias necessidades e vontades. Uma busca incessante por mim mesma, ao mesmo tempo que não me permite me ver com clareza.

"Open your eyes" Snow Patrol.