Eu sempre soube. Sempre esteve lá.
Eu não sou um mistério a ser desvendado. Não peço que me entendam. Ninguém precisa me definir para que eu saiba quem sou. Isso é construção diária, com direito a mudanças das mais insignificantes, às radicais. Sou mutante. Camaleoa. Sou o que vejo em mim, o que os outros vêem, o que gostaria de ser... sou tantas em uma, que não faz qualquer sentido tentar entender.
Não me reconhece? Não tem problema. Nem eu.
Se existe algo no mundo que me tira do sério, é injustiça. Como lidar quando você percebe que está sendo injusto, covarde? Como se perdoar por agir impulsivamente, sem por um momento ser capaz de impedir que o estrago seja feito? Que atinja pessoas amadas?
Culpa. Velha conhecida. Tantas vezes sentida que parece fazer parte de quem eu sou. Em geral, ela só diz respeito a mim. Eu me culpo por me maltratar. Por negligenciar meus sonhos, por temer a vida de tal forma, que me sinto aprendendo a viver a cada despertar.
Mais uma vez repito: Egoísta. Tão individualista que nem ao menos percebo o mal que sou capaz de causar aos outros.
Uma outra dor. Tão maior, tão mais complexa, intensa... me corrói por dentro.
Uma amiga me disse: Não somos responsáveis pela dor que o outro sente. A dor é só dele. Assim como a sua, é somente sua. Você a sente. Você responsabiliza alguém por suas dores?
Não. A dor é minha. Imutável, intransferível, feita sob medida para ser sentida por mim e mais ninguém.
Mas a dor do outro me dói. Mais que minha própria dor, a dor que sei ter causado, me dói profundamente. É como um veneno correndo dentro das veias. Me faz questionar certezas, fundamentos básicos que sempre me foram tão claros.
No final das contas, ser humano é ser propenso ao erro, e do erro, ao aprendizado, e nele, crescimento. Não me martirizo por minhas atitudes. Não julgo ninguém, por que me utilizar de dois pesos e duas medidas quando sou eu a errar?
É assim que me sinto. Impotente. Nada do que eu fizer irá mudar o que já foi. Recuar é ainda mais difícil do que agir, mas é tudo o que eu tenho. A distância. Segura? Não neste momento. Estou apavorada com o que está por vir. Ao mesmo tempo, fascinada com as possibilidades.
A dualidade que agora me acomete, me apavora na mesma proporção em que me faz caminhar, querer, ser... mais.
De um lado tristeza, dor, saudade. De outro... possibilidades! É por elas que eu luto. Posso não saber do que se tratam. O futuro é tão incerto hoje, quanto era ontem. E não existe nada mais poético que não saber. Não sei. Não tenho respostas. Não sou oráculo. Então, não perguntem. Simples. Eu de nada sei. O quão incrível é isso?
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Lindo parabens,lendo esse belo texto agora pontualmente as 00:55 parecia está falando diretamente pra mim...é como se eu o tivesse escrito(quem me dera)me senti externando pensamentos os quais muitas vezes não me permito ou talvez simplesmente não saiba como...conscidência...não acredito...destino...talvez!
ResponderExcluirobg Val!
Que linda!!
ResponderExcluirAs vezes só é preciso esvaziar... a sensação que eu tenho é que se eu não colocar pra fora, morro sufocada...
Mas faz parte. Se eu começar, não consigo parar rsrs ando meio blue... e ouvindo Joni Mitchell!!
Beijosssss