Histórias - Amor em dois tempos

sábado, 9 de abril de 2011

Novos Começos.

Por mais que o tempo passe e com a simplicidade que o faz, as vezes parece que viver é simplesmente esperar.

Clara se prendia a essa espera. Sabia que o momento chegaria, aquele momento determinado em que tudo voltaria a fazer sentido em sua vida. Aquele segundo em que tudo é tão perfeito que a sensação que depois se propoga, é de que a vida vale a pena. Poucas coisas são capazes de levar alguem a sentir isso. Uma é a experiência de Deus, coisa que sua mãe acreditava e que tentara por toda a sua vida lhe incutir, e o amor.

Esperava então pelo o amor. O havia sentido uma vez, ou assim acreditava ter sido. Guardava na lembrança muito mais a sensação de felicidade plena pelo sentimento, do que do objeto de sua afeição. A história desse amor não fora simples, nem terminara bem. O felizes para sempre não a pertencia, mas isso não importava, o sentimento sim.

Olhou pelo espelho retrovisor antes de tirar o carro da vaga como um ato automatico que seu corpo já parecia nem precisar de estimulo para fazê-lo. Ganhou as ruas e em seus pensamentos, somente o objetivo que havia se imposto, iria se permitir. Desejava esta paixão arrebatadora que os livros e filmes relatavam. Queria essa sensação de se afogar com o ar ao respirar. Queria o coração palpitante e as pernas bambas. Queria ser capaz de ver o mundo atraves do olhar de seu amor, e acreditar enfim na perfeição e na simetria das coisas.

Deixou-se guiar. Chegaria ao seu objetivo. Não era mais capaz de negar, que mesmo não vindo da forma como fantasiara, o amor lhe estendera a mão. Era uma mão mais macia do que ela esperava, mas que lhe tinha tocada de forma intensa e verdadeira. Não lutaria mais contra. Passara a vida a esperar por esse amor, a embalagem agora pouco importava.

Custurou ruas e avenidas alinhavando a cidade que tanto amava. O dia findava no horizonte e quanto mais perto chegava do seu destino, mas era capaz de sentir os sintomas dos apaixonados. Sorriu com isso. Estava tão consciente de cada nova sensação que brotava em seu corpo e espirito, que não deu lugar ao medo que as acompanhava. Era tudo novo e ao mesmo tempo velho. O sentimento mais antigo, mais cantado em versos, mais rimado pelos poetas, mais aclamado pelo público, deixava de ser um misterio. Estava amando.

Parou o carro e o silencio lhe invadiu. Era isso. Este era o momento pelo qual tanto aguardara. Se jogaria de braços abertos, sem para-quedas e desfrutaria de seus segundos de felicidade plena. Sentia-se livre.

Os passos até o prédio com fachada verde, foram incertos, tortuosos como os caminhos que a levavam até ali. Pelo interfone ouviu a respiração de seu amor falhar ao se anunciar. Não, não era esperada. Não apos negar que sentia o torbilhão de emoções que a outra vira em seus olhos. Ainda assim, sua entrada fora permitida e desta forma, tomou o elevador e parou a porta do apartamento.

Trajando calças de pijamas e uma camista branca, Ela era a coisa mais linda que Clara já vira na vida. Seu rosto vermelho e de olhos inchados, denunciavam o choro que a havia precedido. Se olharam em reconhecimento. De um lado a felicidade da nova descoberta, do outro a tristeza e o medo de nova deceção.

Clara sabia que agora dependia dela. O primeiro passo haveria de ser seu e não caberia exitação, já exitara demais, temera demais e magoara o seu amor tantas vezes e repetidamente, que agora lhe devia o mundo. E desejava, profundamente, o mundo lhe dar. Era isso que vinha oferecer.

Segurou o belo rosto, claro como a neve, e encarou os olhos negros arredios que se enchiam de duvidas, e disse o que tinha de guardado e o que lhe era de mais valioso:

- Sou sua. Quero ser sua para sempre. Me tome e permite que eu te ame para sempre enquanto durar.

Dito isto, viu naquele olhar o mundo inteiro se abrir. Teve a certeza de que a felicidade ali residia e nela mergulhou com os labios e enfim, com o coração.

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